Este fim de semana estou em Londres. As razões que me trazem aqui de 6 em 6 meses nem sempre são as mais felizes, mas acabo sempre por adorar e divertir-me imenso.
Londres é cultura. Mais ainda, Londres é multi-culturalismo... é um autentico melting-pot onde qualquer pessoa se sente bem. Mas ao contrário de Lisboa, onde cada vez mais temos esta diversidade de culturas, Londres mantem o seu factor charme.
Sempre que aqui venho fico impressionado com a educação e o brio com que todos vivem o dia a dia nesta cidade. Exemplos tão simples como o apanhar um taxi: ao sair da discoteca ontem um senhor muito educado veio-me perguntar "Do you need a taxi sir?". Por acaso não precisava, mas só o tratamento que recebi por este simples taxista, que representa o dia a dia nesta cidade, deu-me logo vontade de entrar no taxi (mãe, pai, não se preocupem que não entrei no taxi.. muito educadamente respondi "No thank you sir. Have a nice evening."). No caminho a pé para casa vinha a comentar com o Duarte que realmente deviamos ser mais assim em Portugal: deviamos tomar uma atitude de levar as coisas por cima, fazer as coisas com brio e tentar sempre fazer melhor. Não me espanta que voltámos a ser um país do qual os cidadãos fogem, vão trabalhar par longe... afinal de contas, todos queremos a melhor qualidade de vida possivel: ser tratado como toda a gente é tratada nesta cidade faz com que qualquer um se sinta bem.
Eu sinto-me bem e estou feliz por daqui a uns meses começar a construir a minha vida nesta cidade.
Sunday, 25 October 2009
Monday, 19 October 2009
So maybe tomorrow I'll find my way home...
I've been down and I'm wondering why these little black clouds keep walking around with me. It wastes time and I'd rather be high; think I'll walk me outside and buy a rainbow smile, but be free... They're all free.
So maybe tomorrow I'll find my way home.
I look around at a beautiful life, been the upperside of down, been the inside of out. But we breathe... we breathe. I wanna breeze and an open mind. I wanna swim in the ocean, wanna take my time for me, all me.
So maybe tomorrow I'll find my way home.
So maybe tomorrow I'll find my way home.
I look around at a beautiful life, been the upperside of down, been the inside of out. But we breathe... we breathe. I wanna breeze and an open mind. I wanna swim in the ocean, wanna take my time for me, all me.
So maybe tomorrow I'll find my way home.
Stereophonics
Monday, 12 October 2009
ModaLisboa - Lisbon Fashion Week
Na semana passada tivemos em Cascais, essencialmente na Cidadela, a ModaLisboa.
Depois de muito procurar e perguntar, finalmente foi-me entregue um Passe VIP, pelo que de quinta-feira a domingo là estava eu batido nos desfiles, coktails, jantares e festas.
Um ou outro destaque de relevo quanto ao que foi apresentado: sapatos muito giros, mesmo.. tanto para elas como para eles, especialmente os apresentados pela Alexandra Moura.
A Cia. Marítima apresentou uma colecção com peças que por vezes pareciam repetir-se. Introduziu no entanto um conceito que a meu ver foi muito bem fisgado: biquínis com padrões de azulejos.
A apresentação de destaque foi no entanto, e sem sombra de dúvida, a da HelloKitty, onde cada estilista apresentou a sua visão de moda para a HelloKitty. Nesta apresentação puderam ver-se surpresas como uma burka apresentada por Maria Gambina ou um desfile com um cão na passerelle que se recuzava a desfilar apresentado por Storytailors.
Houve no entanto, e como é já costume, algumas falhas na organização: o desfile do Tenente foi exemplo disso, no qual a falta de organização à entrada do recinto Off-Site (no Coconuts) fez com que pessoas com simples convite tivessem entrado antes mesmo das pessoas com credenciais, vips, estilitas e jornalistas, o que implicou que o desfile atrasou 1 hora e ainda ficaram à porta furiosos um grupo de vips e credenciados... um autentico desastre.
Depois de muito procurar e perguntar, finalmente foi-me entregue um Passe VIP, pelo que de quinta-feira a domingo là estava eu batido nos desfiles, coktails, jantares e festas.
Um ou outro destaque de relevo quanto ao que foi apresentado: sapatos muito giros, mesmo.. tanto para elas como para eles, especialmente os apresentados pela Alexandra Moura.
A Cia. Marítima apresentou uma colecção com peças que por vezes pareciam repetir-se. Introduziu no entanto um conceito que a meu ver foi muito bem fisgado: biquínis com padrões de azulejos.
A apresentação de destaque foi no entanto, e sem sombra de dúvida, a da HelloKitty, onde cada estilista apresentou a sua visão de moda para a HelloKitty. Nesta apresentação puderam ver-se surpresas como uma burka apresentada por Maria Gambina ou um desfile com um cão na passerelle que se recuzava a desfilar apresentado por Storytailors.
Houve no entanto, e como é já costume, algumas falhas na organização: o desfile do Tenente foi exemplo disso, no qual a falta de organização à entrada do recinto Off-Site (no Coconuts) fez com que pessoas com simples convite tivessem entrado antes mesmo das pessoas com credenciais, vips, estilitas e jornalistas, o que implicou que o desfile atrasou 1 hora e ainda ficaram à porta furiosos um grupo de vips e credenciados... um autentico desastre.
Sunday, 27 September 2009
Esta semana gostaria de divulgar um texto de um dos meus escritores preferidos: o meu grande amigo Francisco Mendonça e Moura. Este texto em particular foi escrito aquando da sua viagem a Moçambique num projecto de voluntariado neste passado verão, e intitula-se "Claudia":
A Cláudia é ávida leitora. Inteligente e perspicaz, é cautelosa. Para ela, tudo não passa de um jogo de amor-ódio, de detesto-te e de quero-te agora neste instante, de nem te posso ver à frente e de não passo sem ti. És a minha droga, o meu pó branco, o meu LSD. Por isso, logo que conseguir que ele se entregue a ela, a primeira coisa que lhe fará será cheirá-lo de cima a baixo, tratarei bem de ti, prometo! No seu caso, não é ela que escolhe, é ela que é escolhida, sempre assim foi, desde menina. Não há tempo nem hora, momento ou local, o tempo é indecifrável, o sítio indiferente: pode ser num restaurante ou na rua, num parque ou num autocarro, na confusão do dia ou à luz da noite, num grupo de amigos ou num recanto perdido, repleto de solidão. O importante é que eles lá estejam os dois, que os seus destinos se cruzem, se entrelacem, que não haja ruptura possível.Há muito que a Cláudia está sozinha, que ninguém lhe faz companhia nos longos caminhos que ultimamente tem percorrido. Precisa de ajuda e de aconchego. Algo que a faça renascer, e nunca mais se afogar naquelas profundas águas mortas de onde surgem aqueles braços castanhos moribundos chamando pelo seu nome, para a levar e nunca mais a trazer: não serás mais transparente ou invisível, vem para um mundo onde nada existe e tudo se realiza. A vontade é muita, a tentação imensa. Não fossem os outros, os que estão perto mas nunca lhe chegam, já se teria entregue, içado a bandeira branca e poisado as armas. Desarmada e prevenida, teria sucumbido, caída na tristeza eterna, no vale dos vivos ainda mortos, onde apenas gritos e ajudas se ouvem, onde todos querem e nenhum pode, onde todos são e cada qual não existe.Ela sabe que é preciso fleurtar, entusiasmar, atiçar, para que não seja mais uma na multidão do olhar dele. Porque razão haveria ele de a escolher, logo ela, cheia de problemas, triste e feia? Borbulhas e acne são a sua essência, ela nasceu para aquilo, para se lamentar eternamente. Por isso Cláudia passa por ele sempre que pode, é capaz de lhe tocar, até mesmo, num acto de loucura, de lhe piscar o olho, com sorte nem estará a mirar aquela loira morena de olhos verdes azuis, talvez tenha sentido o seu perfume de indiferença, captado o seu charme, e talvez não a sua banalidade.Até que o dia chega e os astros se alinham. Ao passar por ele mais uma vez, já sem qualquer esperança ou mesmo grande interesse, ouve-o que a chama. Deve ser engano, nunca a olhou, nunca lhe falou, e agora até lhe assobia lá de longe. Os amigos todos à volta dele, com grandes sorrisos malandros, bem coloridos e sublinhados, indubitavelmente reveladores. Põe-se a caminho, respondendo presente ao tão aguardado chamamento. Finalmente, consegue entrar para aquele clube tão restrito, onde apenas os sábios nestas matérias são convidados. Para Cláudia, ele já é membro honorário.De sorriso tímido nos lábios, pega no Samuel pela mão e acaricia-o de raspão, como que não tendo tempo a perder. Dirigem-se para a porta de saída onde só os dois sabem o que poderá acontecer. De repente, são interpelados por uma senhora, velha e toda enrugada, de óculos na ponta do nariz e com mau hálito. Está tudo perdido, pensou.- “Desculpe! Esqueceu-se de pagar. São 13,50€. Vejo que leva Samuel Beckett, En Attendant Godot, boa escolha. Vai gostar, vai ver. Boa leitura".Sinto que voltei a ganhar o amor pelos livros, pelos seus cheiros, pelas suas histórias, mas não pelas suas imposições, apenas pelas suas lições. Não há nada comparável ao sentimento de descobrir um novo livro: o olhar, o sentir, o pesar, o cheirar, o folhear, e finalmente, o desvendar. Descobrir o que faz dele único e merecedor da dispensa do nosso precioso tempo é algo simplesmente gratificante: o porquê daquela capa, daquela cor, daquele título, a disposição das letras, o desenho escolhido. Será que existe mais alguma coisa que o autor nos quis contar para além do óbvio, mas de maneira a que unicamente os mais atentos e perspicazes o pudessem descobrir, como quem conta um segredo ao ouvido e, de seguida, pisca o olho, ficando os outros, à volta, a olhar repletos de inveja?O que gosto nos livros é que são feitos para aprendermos, mas sobretudo para sobre eles reflectirmos. Podemos interpretá-los como queremos, adapta-los à nossa experiência. Podemos incliná-los para o lado que nos dá mais jeito ou que achamos mais justo. Por isso podem também tornar-se perigosos, pela ausência paternal do autor que deixa de estar do nosso lado a explicar-nos o que quis dizer.Aprendi que muitas coisas não se dizem, guardam-se cá dentro. É uma pena. Todos nós podíamos ajudar-nos mais uns aos outros. Percebi que são poucas as pessoas que querem ouvir, se é que alguma. Por isso há quem escreva, para dizer aquilo que ninguém quer ouvir, na esperança que eventualmente as queiram ler. Assim, essas pessoas, sempre poderão defender-se dizendo que nunca ninguém lhes disse, não os avisaram, porque não há testemunhas, apenas o leitor e o autor, num permanente e honesto “tête-à-tête”, sendo que a única parte capaz de quebrar este elo será o leitor.
Subscribe to:
Posts (Atom)